Feira do Conhecimento com a temática educação na sociedadecomtemporânea 2018

Feira do Conhecimento com a temática educação na sociedade comtemporânea 2018 tivera a sua culminância no dia 04 de dezembro docorrente ano com a participação de professores e alunos com apresentações teatrais e stands. O projeto interdisciplinar tem como proposta a exploração de conteúdos do livro Modernidade Liquida de Autoria do sociólogo polonês Zygmunt Bauman, em paralelo e consonância com os conteúdos didáticos disciplinares.

Feira do Conhecimento educação na sociedade contemporânea
Feira do Conhecimento educação na sociedade contemporânea

Bauman se dedicou ao estudo da sociedade contemporânea, mostrando a diferença nas RELAÇÕES SOCIAIS e RELAÇOES COM O MUNDO, entre o período moderno e o mundo pós-moderno. Analisou como os indivíduos se comportam e como os aparelhos ideológicos contribuem para o fortalecimento de narrativas que estruturam dentro de uma perspectiva histórica a sustentação dos comportamentos humanos na sociedade capitalista de consumo e de relações fluídas e ‘virtuais’.

Como a obra dedica-se a analise dessa liquidez, que permeia cinco tópicos sociais básicos: a emancipação, a individualidade, o tempo/espaço, o trabalho e a comunidade; seus trechos podem ser trabalhados com o enfoque de estimular o educando a buscar saídas, para os problemas INDIVIDUAIS e COLETIVOS dos cinco pontos enumerados na obra, que abarcarão conteúdos das diversificadas áreas do conhecimento.

Dentro dessa perspectiva, o livro critica a velocidade, que “não é propícia ao pensamento, pelo menos ao pensamento de longo prazo.” Ainda segundo Bauman, porque é necessário “tempo para pensar, e distanciamento para uma visão de conjunto.” Respeitando os tempos de cada ser, podemos objetivar com o uso da obra, levar o educando a vislumbrar caminhos diversos e possíveis, para interferir no mundo e para nortear suas ações cotidianas, visando benefícios individuais e coletivos.

Quando a obra nos diz que “Os adolescentes equipados com confessionários eletrônicos portáteis são apenas aprendizes treinando e treinados na arte de viver numa sociedade confessional – uma sociedade notória por eliminar a fronteira que antes separava o privado e o público, por transformar o ato de expor publicamente o privado numa virtude e num dever público”, pode com esta cogitação, estar contribuindo para elaboração de atividades de reflexão e ação, a cerca de problemas que envolvem crianças e adolescentes, nascidos no mundo pós-moderno, com suas praças virtuais e implicações sociais reais da superexposição.

Apesar do apelo sociológico, a obra pode ser aproveitada para levantar discussões, reflexões e ações em varias área do conhecimento, pois verseja sobre inúmeros problemas da sociedade atual, conseguindo apontar inusitados ‘enganchamento’; como por exemplo para doenças modernas, como a bulimia e anorexia, que ele acredita serem reações patológicas às contradições do “nosso modo de vida, em particular, dos aspectos egocêntricos e consumistas.”

A obra ainda nos convida a outras reflexões, acerca das vivencias humanas numa sociedade globalizada, de consumidores e de relações “virtuais”. Convoca cada ser à responsabilidade de estar e fazer-se no mundo:

“Nós somos responsáveis pelo outro, estando atento a isto ou não, desejando ou não, torcendo positivamente ou indo contra, pela simples razão de que, em nosso mundo globalizado, tudo o que fazemos (ou deixamos de fazer) tem impacto na vida de todo mundo e tudo o que as pessoas fazem (ou se privam de fazer) acaba afetando nossas vidas.”

Desta forma é possível ter a obra de Baumam, como tema norteador para analisar e refletir sobre temas que a atual geração terá inevitavelmente de confrontar-se, tais como o individualismo, as relações de trabalho, as doenças modernas, o consumismo, a alienação, as famílias, xenofobia, racismo, capitalismo, arte, meios de comunicação, controle, governos e comunidade, ou mesmo a noção de tempo/espaço, que guiam as ações humanas no mundo pós-moderno incerto, relativo e fluído.

Fazer reflexões e buscar saídas para os problemas atuais da VIDA REAL, é ao que incita a obra Modernidade liquida, e com o aproveitamento dela em nosso cotidiano escolar, ensejamos que o educando perceba que somente sua interferência no mundo é que pode mudar a ideia alienante de que “A vida desejada tende a ser a vida “vista na TV” (…) e é a vida vivida que parece irreal.